
Esse filme precisa ser assistido em doses homeopáticas.
É surreal, o que mais posso dizer?
Não é pra significar nada. Não é pra raciocinar a respeito. Vai contra tudo o que a cinefilia se presta a fazer.
Só sentir. Digerir.
E diferentemente dos quadros de Dali que você pode ficar ali, derretendo, surtando, agonizando perante aquela imagem freneticamente estável, em um cão andaluz você tem que digerir, sei lá, 16 quadros por segundo.
“É um cinema que não quer agradar, quer alienar”... Li isso em algum lugar. A mesma alienação do sono profundo, do sonho. O sonho que era o combustível de Bunuel, de Dali, de Miro.
O próprio Bunuel era aquele tipo de cara que gostava de criar lendas a seu respeito. Acho que não era um lance de marketing, mas sim uma incapacidade de diferenciar o real do verossímil.
Enfim, é um dos meus filmes preferidos. Assisto incansavelmente. E ele sempre me entorpece, me frustra, me desnorteia.
