21.6.06

O Atalante (1934)


Falando em contos de fadas eu me lembro de L'atalant.
É o filme mais bonito que já vi. É a apoteose do que qualquer desavisado chamaria de "filme-francês-tolo-qualquer".
Um casal jovem, recém-casado, inicia uma nova vida numa barcaça, coisa e tal. No entanto ela quer o mundo e ele está satisfeito com a barcaça.
Jean Vigo sabia o que estava fazendo. O cara é um poeta de imagens. Um poeta de tons de cinza. Podia cair facilmente num mundo banal, sentimentalista e clichê, mas não.
O filme é muito fofo mas grita, é excitante. Esse é meu ponto: ele é excitantemente fofo.
O ritmo ingênuo do filme e a música traduzem o percurso da barcaça e do casal perfeitamente.

Pelo meu tosco conhecimento cinematográfico, esse filme seria um representante do que se chama de "realismo francês". Até aí tudo bem, a critica social e toda a ladainha está lá, em um dado momento. Mas eu não consigo deixar de enxergar um certo naturalismo e até mesmo um toque surrealista ao filme. Mágico demais, lírico demais. E quando eu digo demais, leia-se suficiente.

Filmes bonitinhos comandam.
E é isso mesmo.

Esse blog é mto feio. Isso tá começando a me irritar.

O cozinheiro, o ladrão, a mulher e seu amante


Há quem diga que Peter Greenaway é um cineasta que segue modinhas.
Não sei se concordo.

O fato é que vi poucos filmes dele e ou eles me incomodaram e fizeram dormir (A última Tempestade) ou eles me fizeram surtar completamente (O livro de cabeceira).

Então, estranhamente, ele acabou se tornando um dos cineastas parametros do que eu gostaria de ser e do que eu gostaria de não ser.
O que não se pode negar é que ele tem uma estética refinada e formas narrativas absolutamente complexas. Não acho que ele seja revolucionário, nem nada do tipo. Só acho que ele foi esperto com o que o cinema e a literatura, sei lá, suas influencias em geral, lhe oferenceram.

Mas a sacada dele foi conquistar a academia com um papo pós-moderno desconstruído.


CONTINUA