12.12.06

Breakfast at Tiffany's (1961)


Nunca tinha pensado em Holly Golightly com uma prostituta. Pra mim ela era só uma mulher que vivia de sua beleza, de uma aparência. Uma mulher um tanto quanto independente. É, isso é bastante inocente da minha parte.

Esse filme sempre me despertou de uma forma estranha. Ele tem um roteiro com alívios cômicos bizonhos à la Hollywood nos anos 50-60, uma protagonista fraca, mas absolutamente irresistível e uma trama bem meia boca.
Ou seja, tecnicamente ele deixa a desejar. Porém o grande tcham desse filme é o impacto cultural causado na época de seu lançamento e aura criada nele a partir daí.
Audrey Hepburn virou divindade depois do lançamento desse filme. Nova York virou paradigma de luxo e glamour.

E tudo isso numa narrativa baseada numa atmosfera quase onírica de festas que nunca terminam, amores improváveis e a matuta que mudou de nome e se deu bem na cidade, adquiriu uma sofisticação. E aí que entra o paradoxo do filme: o êxodo à NY e essa casca de sofisticação eram o destino comum das jovens no começo dos anos 50...

Afinal, a quem importa que Blake Edwards o dirigiu e ele é baseado numa obra de Truman Capote? Por sinal, no livro, Holly tinha tendencias bissexuais o que é muito engraçado.


...em construção

26.11.06

Woody Allen - Top 10

Fazer um top 10 é algo que demanda um misto de justiça e idiossincrasia. Desta forma, eu demorei pra conseguir discernir categoricamente sobre os filmes de Woody Allen.
Enfim, aí vai um top 10 Woody Allen:

1.Manhatan
2.Annie Hall
3. Zelig
4. Crimes e Pecados
5. Poucas e Boas
6. Tudo o que você gostaria de saber sobre sexo...
7. Hannah e suas irmãs
8. Broadway Danny Rose
9. A era do rádio
10. A última noite de Boris Grushenko e Todos dizem eu te amo.

Menção honrosa para > What's up tiger Lily?


O grande negócio do Woody Allen é o jeitinho de inserir um monte de discussões totalmente desconexas num mesmo filme, principalmente através de diálogos, de forma divertida. O cara é um tapinha judeu e sempre passa o rodo em Nova York.

Para este top 10 é preciso levar em consideração que eu não assinsti (ainda) aos seguintes filmes (que são grandes prioridade na minha listinha do "a ver"): Interiores, Desconstruindo Harry, Trapaceiros, Rosa Purpura do Cairo, Setembro, A outra.... Ok, eu não vi muita coisa. Talvez esse top 10 seja mesmo irrelevante.


Continua...

Alain Resnais

“On Connaît La Chanson” está para “Hiroshima, Meu Amor” (1959) assim como “Smoking/No Smoking” (1993) está para “O Ano Passado em Marienbad” (1961). Se “Marienbad” instaurou a relatividade quântica no cinema, “Hiroshima” inaugurou o tempo dialético.“Smoking/No Smoking” é um filme em dois, par de filmes em si mesmos (quase). A mesma história, o mesmo cenário, os mesmos personagens, os mesmos intérpretes. O desenrolar da trama muda de acordo com a opção do tipo (se fuma ou não), o que desencadeia diferenças narrativas, já predeterminadas.


Alain Resnais: a suavidade no grotesco.

Robert Altman

Pode parecer um post póstumo. Blá blá blá ele vai deixar saudade.
Mas não. Ele morreu essa semana, sim. Mas há 2 semanas eu vi o seu último filme e saí da sala com a impressão que aquele filme não poderia ser só aquilo. Que eu precisava vê-lo de novo pra poder falar qualquer coisa sobre ele.

A última noite, estruturalmente, era bem diferente de Shortcuts, Mash, Nashville.
É muito fácil dizer que os filmes de Altman não tem protagonistas, que são histórias fragmentadas cotidianas quando ele trata (por panos de fundo) da guerra, da busca pelo estrelato.



Continua...

Harold Lloyd.

Imagino que ser comediante na mesma época que Chaplin e Keaton não devia ser fácil. Dois mestres que inovaram o cinema e ditaram para a posteridade o que seria a comédia na telona. Mas eles não estavam sozinhos. Harold Lloyd de forma alguma foi esquecido e, na época, fazia até mais sucesso na bilheterias que Chaplin e Keaton. Mas eu consigo entender o porquê que seu legado não é tão lembrado nos dias de hoje. A influência de Lloyd no gênero é algo bem mais sutil.

A comédia de Lloyd se baseia em momentos de tensão. Ele não está sempre correndo atrás da bonitinha nem fugindo da confusão. Ele busca o sucesso, busca ultrapassar as adversidades da vida sem perder a esperança jamais. Algo perfeitamente de acordo com o que acontecia nos anos 20 com o americano médio, o homem comum. E por isso o tamanho sucesso de Harold Lloyd na época; o público consegue se identificar com Lonesome Luke (a paródia de Carlito criada po Harold).

17.11.06

30ª Mostra Internacional de Cinema

Dado o tempo para um distanciamento seguro da agitação da mostra, eis meus comentários sobre alguns filmes que assisti;

DOCUMENTÁRIOS

Os poucos documentários que vi me deixaram com uma certa desilusão da capacidade de discernimento dos organizadores da mostra.

Homens em crise era co-produção de Israel com a Palestina. Sim, peculiar. Pescadores de ambos povos que dividem o mesmo mar em harmonia no verão e em crise no inverso. Se amam como irmãos e querem se matar como inimigos.
O grande pecado do filme é explorar assuntos menores e se ater à questões irrelevantes. Além de grande pobreza estética e linguagem porca.

Punks são legais não era algo que eu esperava que fosse espetacular. E ainda assim ele deixou a desejar. A proposta infeliz de mostrar um panorama da cena punk na atualidade (com os antigos que permanecem, os novos que se superam e os desconhecidos crescendo) parecia mais uma fachada para um "documentarista" sair do Canadá e vir para o Brasil e para Bali (onde se encontram 2 das 3 "bandas" retratadas) e de quebra pegar umas ondas. O que me incomoda é que o título se propõe a conscientizar o espectador leigo de que o punk não é só um cara sujo, drogado e mau-caráter. E nesse sentido ele se esforça pateticamente falando de religião e família. Só que ele não dá a visão histórica e social para qualquer compreensão do universo punk. Que é o mínimo que se espera dele.

Dong foi um filme curto e doído. Mas com certeza merece o mérito de mais interessante experimento na linguagem do documentário que eu já tive contato.

ok... agora FICÇÕES

Síndromes e um século é um filme quase abstrato. O comentário geral foi "hm... não entendi, mas gostei", o que parece fazer sentido se o pensarmos como um filme autoconsciente, que está, em pleno filme, se refazendo, se metaforizando, mudando de ponto de vista.

Rosso como il cielo é um filme que adquire uma sensibilidade que transcende o olhar, ao tratar de um menino que fica praticamente cego, vendo apenas sombras e borrões. Com certeza tem um final bobo, tomando-se do "espírito revolucionário" da época em que o filme se passa. Mas emociona, e isso parece ser o suficiente.

Eu não quero dormir sozinho é daqueles que brinca com o espectador distendendo o tempo e lidando com coisas absolutamente individuais dos personagens. Um filme de silêncios, de solidões, de amores voláteis. Que contra tudo e todos não me adormeceu.



Continua....

9.9.06

Filmes das Férias - Parte II

Três Enterros, Tommy Lee Jones **
O filme não chega a ser ruim. Tem uma trama relativamente atraente, tem um joguinho com o espectador, tem uma fotografia bem trabalhada. Mas eu achei extremamete chato...

Isto é Noel, Rogério Sganzerla ***
Uma abordagem documental um pouco diferenciada e um belo tributo. E só.

Vestida para matar, Brian De Palma ****
Achei fantástico. Um daqueles filmes atemporais.

Todos dizem eu te amo, Woody Allen ***1/2
Não me envolveu tanto quanto outros filmes do Woody Allen. Mas ainda assim é interessante pelo valor de deboche aos musicais da broadway. Morri de rir nos numeros musicais.

Amores Colegiais, James W. Horne ***1/2
Em vários momentos o filme poderia ter se tornado banal e pastelão, mas a excelente atuação de Buster Keaton não permite que isso aconteça.

Twin Peaks, David Lynch ***
Eu tinha uma série de expectativas sobre o filme, por ter visto a série. E ele não me satifez.
Ainda assim é bem legal.

Poucas e Boas, Woody Allen ***
Achei muito bom, bem feito, roteiro interessante. Mas não é a melhor fase de Woody.

4.9.06

Gritos e Sussurros (1972)


Pronto, Bergman me conquistou.

Dificil encontrar um filme que consegue, tão magistralmente, ser mais um estado de espirito que uma narrativa... Um verdadeiro raio-x das relações humanas mais complicadas.

...

31.8.06

Filmes das Férias - Parte I

Click *
Tipica comédia Adam Sandler e companhia. Só que desta vez não se presta a ser mto origina: é uma grande mistura de Efeito Borboleta e Todo Poderoso.
Óbvio, longo, sem mta graça.

Zelig (revisto), Woody Allen ****
Mais uma perola do Woody Allen com um toque mais pretencioso que o normal de comédia do absurdo. Achei genial estilo documentário-ficcional.

Ninotchka, Ernst Lubitsch ***1/2
Não sei. Me faltou alguma coisa.
A hsitória está mto agarrada ao "happy-end". Os personagens são construidos frágilmente.
Ainda assim não é ruim.

O casal Osterman, Sam Peckinpah **
Peckinpah no Telecine Action. Não parece mto certo, não sei. Não me agradou.

Separados pelo casamento **1/2
Um filme meio banal.
Mas é bem construído, é agradável e o Vincent Vaugh nos fez o favor de não arrastar toda sua "turminha-comédia-imbecil-alivio-comico" nesse filme.

Os pássaros (revisto), Hitchcock ****1/2
É Hitchcock. Eu não me canso desse filme.

Contos da Lua Vaga, Kenji Mizogushi ****
Uma espécie de Akira Kurosawa um pouco mais romantico, digamos.
Gostei mto. É um filme bastante sensivel, suave, humano.

Terra sem pão, Bunuel ***1/2
Um pequeno ducumentário do Bunuel. Georgette e Henri devem ter surtado vendo esse filme: uma Espanha pobre e miserável que se esconde atrás dos vales.
Demais.

Um dia de Cão, Sidney Lumet ****
Grande filme. Divertido, tranquilo, sem mta firula.

7.8.06

Grande Maratona Godard Continua...


Filmes bem diferentes...

Les Carabiniers (1963) - o filme é da primeira "época" da Nouvelle Vague e tem aquele clima godaresco. Black and white, charmoso, francês, mto francês. O filme é engraçado. Em alguns momentos parece uma grande Contra-Ode à burrice. "A guerra enriquece..." "ok, então eu vou.."







Ici et Ailleurs (1972) - Já é de uma época mais politica do Godard. Ele acabara de superar o dziga Vertov Group e passava por um perio de transição. Fala da comoção palestina. Da mulher palestina se preparando para a luta. O nome significa algo tipo "aqui e em qualquer lugar".
O filme é levemente irritante.






Charlotte e Veronique/ Tous les garçons s'appellent patrick (1957) - Um Godard gritando por Acossado. Um homem malandrão e duas moças charmosas procurando alguém e se deparam com a mesma pessoa. "hoje todos os homens se chamam Patrick". Gostei. bom. Sensivel.

30.7.06

Julho

Espíritos, de Banjong Pisanthanakun !
Novelo, de Pedro Bertolino, Ady Vieira e Pedro Paulo de Souza ***1/2.
As Aventuras de Dick e Jane, de Dean Parisot *
O Exorcismo de Emily Rose, de Scott Derrickson *1/2
+The Shop Around the Corner, de Ernst Lubitsch ***
+Uma Mulher sob Influencia, de John Cassavetes *****
Charlotte et son Jules, de Godard ***1/2
Band A part, de Godard ****
Mettin’ WA, de Godard ***
Domicilio Conjugal, de Truffaut ****1/2
Meu tio, de Jacques Tati *****
Fishing with John, de John Lurie ***
Mouchette, de Bresson ****
O Virgem de 40 anos, de Judd Apatow *1/2
+O Bandido da Luz Vermelha, de Rogério Sganzerla *****
What’s up Tiger Lily, de Woody Allen ***1/2



+ - revistos.

26.7.06

Meu Tio (1958)



Antes de questionar a modernidade e a tecnologia, Jacques Tati escarneia-a de uma forma delicada e doce.
Sr Hulot está de volta. E vai visitar a irmã, o cunhado e o sobrinho em sua casa high-tech super-higienica.

E aí que tá a graça; o conflito entre o sujo e desajeitado Sr Hulot e o mundo super-higiênico da casa high-tech.
O filme mostra uma série de dicotomias urbanas hilárias.


Talvez Jacques Tati realmente acreditasse que a humanidade estava fadada ao sedentarismo que a tecnologia traria consigo. E seu universo puramente estético, superficial e impessoal.
Gosto muito da fonte que liga-se toda vez que uma visita aleatoria chega. Gosto muito do armário psicopata da cozinha.

Enfim, gosto desse filme e de seu humor aparentemente singelo.

22.7.06

Uma mulher sob influência (1974)


uma mulher com umas crianças aparece e diz "Sem gritaria". doce ilusão.
e que gritaria. até atacou a sinusite.
mas valeu a pena.


porque nesse filme a toda a loucura se encaixa.
é um filme livre. a camera é livre.
ele dá cerveja aos filhos pra eles tombarem de sono.
ela só quer ser agradável, servir espaguete.

Gosto dessa idéia de família que o cassavetes tem. Dentro da família, a loucura de cada um é permitida. Até que algum forasteiro venha e quebre com essa “harmonia instável”. Paradoxalmente, a comunidade forasteira apóia o louco.
E as crianças são o resto de sanidade.


e no fim o doce caos disfuncional continua. lindo.

18.7.06

TOP 10 - Musicais

1.Magico de Oz
2.Noviça Rebelde
3.Ritmo Louco
4.Cantando na Chuva
5.Dançando no escuro
6.Grease - Nos tempos da Brilhantina
7.Mary Poppins
8.My fair lady
9.Hair
10.Nasce uma Estrela


Critérios:
O quão suportável é, Valor histórico, Qualidade das musiquinhas e dancinhas.


Menção honrosa para :
Os guarda-chuvas do amor. É mas não é, né.

17.7.06

Um cão andaluz. (1929)


Esse filme precisa ser assistido em doses homeopáticas.
É surreal, o que mais posso dizer?
Não é pra significar nada. Não é pra raciocinar a respeito. Vai contra tudo o que a cinefilia se presta a fazer.
Só sentir. Digerir.
E diferentemente dos quadros de Dali que você pode ficar ali, derretendo, surtando, agonizando perante aquela imagem freneticamente estável, em um cão andaluz você tem que digerir, sei lá, 16 quadros por segundo.

“É um cinema que não quer agradar, quer alienar”... Li isso em algum lugar. A mesma alienação do sono profundo, do sonho. O sonho que era o combustível de Bunuel, de Dali, de Miro.

O próprio Bunuel era aquele tipo de cara que gostava de criar lendas a seu respeito. Acho que não era um lance de marketing, mas sim uma incapacidade de diferenciar o real do verossímil.

Enfim, é um dos meus filmes preferidos. Assisto incansavelmente. E ele sempre me entorpece, me frustra, me desnorteia.

8.7.06

Por que Godard?

"Mas a resposta só poderia decepcionar: Godard conclui, regularmente, ou pontua todas as tentativas teóricas que não querem permanecer no cinema clássica, e a razão, confessada ou não, é sempre a mesma: ele encarna, a um só tempo, a herança e sua consciência, a memória de uma história do cinema e sua colocação em jogo, ele é o 'padrão' que os jovens cineastas e os críticos escolhem, ou contra quem eles se levantam - dá no mesmo: ele é um dos últimos dessa geração que quis, e por todos os lados, fazer do cinema uma arte."
disse Jacques Aumont.


"Realizar um cinema cada vez mais cinematográfico - essa é a insolência de Godard."
disse Rogério Sganzerla


"O cinema não é uma estação. O cinema é o trem."
disse o próprio.

3.7.06

Jack Lemmon

Jack Lemmon é o segundo cara mais engraçado de todos.
Só perde pro Buster Keaton, óbvio.


Mas a graça dele é diferente. Ele não te faz gargalhar. Ele te cativa e te faz sorrir.
Só de olhar pra cara dele eu tenho vontade de rir. Isso porque ele é totalmente despretensioso, tem um semblante humilde.
E mais, um cara que faz um filme vestido de mulher em 1959 merece respeito... Totalmente à frente de seu tempo (créditos ao Billy Wilder também, que concebeu essa grande idéia. E a Marilyn que era, de fato, a rainha da cocada-preta).
E não podemos esquecer também da melhor atuação de gripe de todos os tempos em The apatment.


Mas enfim, semana passada fez 4 anos que ele morreu. Então eu quis fazer uma singela homenagem à ele. Não que ele pessoalmente me faça falta, nem sabia que ele tinha morrido na verdade... mas é preciso admitir que, uma vez morto, toda a celebração à sua obra não é demasiada. A contribuição dele para a minha arte-mor foi bastante considerável, ah isso foi.






Jack Lemmon.
(1925 - 2001)


Um cara particularmente legal.

29.6.06

La Dolce Vita (1960)


Confesso que assistir a esse filme me foi uma verdadeira presepada.
Inúmeras tentativas sonolentas ou ansiosas. E "La Dolce Vita" fosse um livro ele seria a Odisséia, isso é certo...
Mas eu consegui. E dentro de um método doentio me obriguei a assistir o filme algumas vezes para entender pq ele é tão "bom".

E de repente percebo que La Dolce Vita é um filme extremamente simples.


Claro que minhas cismas com coincidências numéricas me revelaram que o filme se passa num período de 7 noites e 7 madrugadas, representa os 7 pecados capitais e foi filmado nas 7 colinas de Roma. Mas é muita mediocridade da minha parte conseguir diminuir o filme a isso...

Trata-se de um mundo de extravagâncias, um mundo desesperado, mas vazio.
Um mundo de pessoas idealizadas, de inicio e fim simétricos.
É um filme perigoso... Tudo é lindo, exótico e tentador.
Romantizado demais pro meu gosto.
Ok, estou a salvo.

22.6.06

Pier Paolo Pasolini

Pasolini era um literato que olhou para o cinema e pensou "Ahm... aí tem coisa."
Acabou se tornando um grande estudioso do assunto e um grande realizador. Sempre refletiu o impacto da modernidade na literatura e no cinema com um olhar bastante radical.
Dizia que o cinema era a representação da realidade pela realidade (uuu há controvérsias).
Dizia mais; que para o cinema não bastava ser só uma arte advinda de uma técnica literária. O cinema se trata de uma língua. Uma língua sem gramática.
Ele já falava em estéticas da recepção antes mesmo delas entrarem em pauta, que seria, a grosso modo, o espectador também como criador. Acredito que essa visão de cinema que o diferenciou de seus amiguinhos neo-realistas.
A fase neo-realista (chamada de ciclo popular-nacionalista) dele foi um tanto quanto apagadinha (isso na minha humilde opinião). Filmes com temática suburbana e tal. Depois ele entrou numa de "cinema de poesia" que foi onde ele concebeu a clássica Trilogia da Vida.

Na verdade não assisti a muitos de seus filmes. Uns 4 ou 5, talvez. Mas o escândalo, a nudez, a profanação são ininterruptos. O cara era um baita maluco. Imagina: numa sociedade burguesinha, fascista como a italiana era. Óbvio que ele foi assassinado "misteriosamente".


Mas o meu ponto é: viva o cinema metafórico radical. Lirismo debochado, ideal de beleza turvo e uma arte absolutamente grandiosa. Isso é Pasolini. E é muito massa.


Por hora é isso mesmo.

21.6.06

O Atalante (1934)


Falando em contos de fadas eu me lembro de L'atalant.
É o filme mais bonito que já vi. É a apoteose do que qualquer desavisado chamaria de "filme-francês-tolo-qualquer".
Um casal jovem, recém-casado, inicia uma nova vida numa barcaça, coisa e tal. No entanto ela quer o mundo e ele está satisfeito com a barcaça.
Jean Vigo sabia o que estava fazendo. O cara é um poeta de imagens. Um poeta de tons de cinza. Podia cair facilmente num mundo banal, sentimentalista e clichê, mas não.
O filme é muito fofo mas grita, é excitante. Esse é meu ponto: ele é excitantemente fofo.
O ritmo ingênuo do filme e a música traduzem o percurso da barcaça e do casal perfeitamente.

Pelo meu tosco conhecimento cinematográfico, esse filme seria um representante do que se chama de "realismo francês". Até aí tudo bem, a critica social e toda a ladainha está lá, em um dado momento. Mas eu não consigo deixar de enxergar um certo naturalismo e até mesmo um toque surrealista ao filme. Mágico demais, lírico demais. E quando eu digo demais, leia-se suficiente.

Filmes bonitinhos comandam.
E é isso mesmo.

Esse blog é mto feio. Isso tá começando a me irritar.

O cozinheiro, o ladrão, a mulher e seu amante


Há quem diga que Peter Greenaway é um cineasta que segue modinhas.
Não sei se concordo.

O fato é que vi poucos filmes dele e ou eles me incomodaram e fizeram dormir (A última Tempestade) ou eles me fizeram surtar completamente (O livro de cabeceira).

Então, estranhamente, ele acabou se tornando um dos cineastas parametros do que eu gostaria de ser e do que eu gostaria de não ser.
O que não se pode negar é que ele tem uma estética refinada e formas narrativas absolutamente complexas. Não acho que ele seja revolucionário, nem nada do tipo. Só acho que ele foi esperto com o que o cinema e a literatura, sei lá, suas influencias em geral, lhe oferenceram.

Mas a sacada dele foi conquistar a academia com um papo pós-moderno desconstruído.


CONTINUA

16.6.06

Pele de Asno (1970)


Jacques Demy inventou um conto de fadas. Furtivo e encantado, não devendo nada aos desenhos da Disney.
Nem preciso dizer que Catherine Deneuve está absolutamente maravilhosa.

"O prazer e a magia do filme que se tornou lendário", diz o cartaz. Tá, não é pra tanto.

Mas o que eu gosto de observar no Jacques Demy é a situação que ele se coloca em plena França, pós-maio de 68, Godard em plena atividade com o Grupo Dziga Vertov, Truffaut ainda se divertindo com Antoine e o Demy fazendo contos de fadas...

CONTINUA