Costumo me render muito facilmente a filmes com uma boa direção de arte. E, realmente, Maria Antonieta é um filme que agrada os olhos; excelentes figurinos, maquiagens e a sorte da autorização do uso dos cenários onde as coisas, de fato, ocorreram. Desleal.
Sofia foi ma
landra: pegou um ícone absoluto francês e criou um filme sob um ponto de vista estadunidense.
E mais; fez um filme absolutamente contraditório e ousado.
Ao contrário do comum nos filmes de época, Maria Antonieta é ambicioso através do estilo recorrente de Sofia Coppola: vem com planos rápidos, abertos, ágeis e precisos além de um uso ostensivo de elipses temporais. Uma brincadeira com o anacronismo.
Porém, ainda assim, o filme deixa a desejar por algum motivo.
Talvez seja a trilha sonora; uma mistura do moderno com o coerente à época totalmente deslocada e forçada. (não critico a idéia, mas sim o resultado)
Ou talvez a tentativa de Sofia em transformar Maria Antonieta num personagem mais humano tenha sido mal-sucedida. A humanidade da rainha falha no final do filme, quando é lembrada a revolução.
Aquela história não é humana, aquele universo não é humano, Maria Antonieta não era humana.
E Sofia, mesmo quando tenta não julgar os personagens, passa a mão na cabeça deles. E nos poupa. Mas ainda assim não é um filme ruim.
Como eu disse: ele agrada os olhos.
A escolha de Sofia Coppola pelo ícone "Maria Antonieta" foi, no minimo, autobiografica. Mas não é isso que eu quero dizer.
Antes eu achava que faltava algo ao filme. Já não penso mais assim... Acho que o filme é, sim, fechado. A proposta de Sofia, aparentemente é um filme adolecente, sim. Ela quer abrir os olhos desse povo desvairado e fútil. É como e Maria Antonieta fosse um reflexo da juventude de hoje, não sei explicar.
