Fazer um top 10 é algo que demanda um misto de justiça e idiossincrasia. Desta forma, eu demorei pra conseguir discernir categoricamente sobre os filmes de Woody Allen.
Enfim, aí vai um top 10 Woody Allen:
1.Manhatan
2.Annie Hall
3. Zelig
4. Crimes e Pecados
5. Poucas e Boas
6. Tudo o que você gostaria de saber sobre sexo...
7. Hannah e suas irmãs
8. Broadway Danny Rose
9. A era do rádio
10. A última noite de Boris Grushenko e Todos dizem eu te amo.
Menção honrosa para > What's up tiger Lily?
O grande negócio do Woody Allen é o jeitinho de inserir um monte de discussões totalmente desconexas num mesmo filme, principalmente através de diálogos, de forma divertida. O cara é um tapinha judeu e sempre passa o rodo em Nova York.
Para este top 10 é preciso levar em consideração que eu não assinsti (ainda) aos seguintes filmes (que são grandes prioridade na minha listinha do "a ver"): Interiores, Desconstruindo Harry, Trapaceiros, Rosa Purpura do Cairo, Setembro, A outra.... Ok, eu não vi muita coisa. Talvez esse top 10 seja mesmo irrelevante.
Continua...
26.11.06
Alain Resnais
“On Connaît La Chanson” está para “Hiroshima, Meu Amor” (1959) assim como “Smoking/No Smoking” (1993) está para “O Ano Passado em Marienbad” (1961). Se “Marienbad” instaurou a relatividade quântica no cinema, “Hiroshima” inaugurou o tempo dialético.“Smoking/No Smoking” é um filme em dois, par de filmes em si mesmos (quase). A mesma história, o mesmo cenário, os mesmos personagens, os mesmos intérpretes. O desenrolar da trama muda de acordo com a opção do tipo (se fuma ou não), o que desencadeia diferenças narrativas, já predeterminadas.
Alain Resnais: a suavidade no grotesco.
Alain Resnais: a suavidade no grotesco.
Robert Altman
Pode parecer um post póstumo. Blá blá blá ele vai deixar saudade.
Mas não. Ele morreu essa semana, sim. Mas há 2 semanas eu vi o seu último filme e saí da sala com a impressão que aquele filme não poderia ser só aquilo. Que eu precisava vê-lo de novo pra poder falar qualquer coisa sobre ele.
A última noite, estruturalmente, era bem diferente de Shortcuts, Mash, Nashville.
É muito fácil dizer que os filmes de Altman não tem protagonistas, que são histórias fragmentadas cotidianas quando ele trata (por panos de fundo) da guerra, da busca pelo estrelato.
Continua...
Mas não. Ele morreu essa semana, sim. Mas há 2 semanas eu vi o seu último filme e saí da sala com a impressão que aquele filme não poderia ser só aquilo. Que eu precisava vê-lo de novo pra poder falar qualquer coisa sobre ele.
A última noite, estruturalmente, era bem diferente de Shortcuts, Mash, Nashville.
É muito fácil dizer que os filmes de Altman não tem protagonistas, que são histórias fragmentadas cotidianas quando ele trata (por panos de fundo) da guerra, da busca pelo estrelato.
Continua...
Harold Lloyd.
Imagino que ser comediante na mesma época que Chaplin e Keaton não devia ser fácil. Dois mestres que inovaram o cinema e ditaram para a posteridade o que seria a comédia na telona. Mas eles não estavam sozinhos. Harold Lloyd de forma alguma foi esquecido e, na época, fazia até mais sucesso na bilheterias que Chaplin e Keaton. Mas eu consigo entender o porquê que seu legado não é tão lembrado nos dias de hoje. A influência de Lloyd no gênero é algo bem mais sutil.
A comédia de Lloyd se baseia em momentos de tensão. Ele não está sempre correndo atrás da bonitinha nem fugindo da confusão. Ele busca o sucesso, busca ultrapassar as adversidades da vida sem perder a esperança jamais. Algo perfeitamente de acordo com o que acontecia nos anos 20 com o americano médio, o homem comum. E por isso o tamanho sucesso de Harold Lloyd na época; o público consegue se identificar com Lonesome Luke (a paródia de Carlito criada po Harold).
A comédia de Lloyd se baseia em momentos de tensão. Ele não está sempre correndo atrás da bonitinha nem fugindo da confusão. Ele busca o sucesso, busca ultrapassar as adversidades da vida sem perder a esperança jamais. Algo perfeitamente de acordo com o que acontecia nos anos 20 com o americano médio, o homem comum. E por isso o tamanho sucesso de Harold Lloyd na época; o público consegue se identificar com Lonesome Luke (a paródia de Carlito criada po Harold).
17.11.06
30ª Mostra Internacional de Cinema
Dado o tempo para um distanciamento seguro da agitação da mostra, eis meus comentários sobre alguns filmes que assisti;
DOCUMENTÁRIOS
Os poucos documentários que vi me deixaram com uma certa desilusão da capacidade de discernimento dos organizadores da mostra.
Homens em crise era co-produção de Israel com a Palestina. Sim, peculiar. Pescadores de ambos povos que dividem o mesmo mar em harmonia no verão e em crise no inverso. Se amam como irmãos e querem se matar como inimigos.
O grande pecado do filme é explorar assuntos menores e se ater à questões irrelevantes. Além de grande pobreza estética e linguagem porca.
Punks são legais não era algo que eu esperava que fosse espetacular. E ainda assim ele deixou a desejar. A proposta infeliz de mostrar um panorama da cena punk na atualidade (com os antigos que permanecem, os novos que se superam e os desconhecidos crescendo) parecia mais uma fachada para um "documentarista" sair do Canadá e vir para o Brasil e para Bali (onde se encontram 2 das 3 "bandas" retratadas) e de quebra pegar umas ondas. O que me incomoda é que o título se propõe a conscientizar o espectador leigo de que o punk não é só um cara sujo, drogado e mau-caráter. E nesse sentido ele se esforça pateticamente falando de religião e família. Só que ele não dá a visão histórica e social para qualquer compreensão do universo punk. Que é o mínimo que se espera dele.
Dong foi um filme curto e doído. Mas com certeza merece o mérito de mais interessante experimento na linguagem do documentário que eu já tive contato.
ok... agora FICÇÕES
Síndromes e um século é um filme quase abstrato. O comentário geral foi "hm... não entendi, mas gostei", o que parece fazer sentido se o pensarmos como um filme autoconsciente, que está, em pleno filme, se refazendo, se metaforizando, mudando de ponto de vista.
Rosso como il cielo é um filme que adquire uma sensibilidade que transcende o olhar, ao tratar de um menino que fica praticamente cego, vendo apenas sombras e borrões. Com certeza tem um final bobo, tomando-se do "espírito revolucionário" da época em que o filme se passa. Mas emociona, e isso parece ser o suficiente.
Eu não quero dormir sozinho é daqueles que brinca com o espectador distendendo o tempo e lidando com coisas absolutamente individuais dos personagens. Um filme de silêncios, de solidões, de amores voláteis. Que contra tudo e todos não me adormeceu.
Continua....
DOCUMENTÁRIOS
Os poucos documentários que vi me deixaram com uma certa desilusão da capacidade de discernimento dos organizadores da mostra.
Homens em crise era co-produção de Israel com a Palestina. Sim, peculiar. Pescadores de ambos povos que dividem o mesmo mar em harmonia no verão e em crise no inverso. Se amam como irmãos e querem se matar como inimigos.
O grande pecado do filme é explorar assuntos menores e se ater à questões irrelevantes. Além de grande pobreza estética e linguagem porca.
Punks são legais não era algo que eu esperava que fosse espetacular. E ainda assim ele deixou a desejar. A proposta infeliz de mostrar um panorama da cena punk na atualidade (com os antigos que permanecem, os novos que se superam e os desconhecidos crescendo) parecia mais uma fachada para um "documentarista" sair do Canadá e vir para o Brasil e para Bali (onde se encontram 2 das 3 "bandas" retratadas) e de quebra pegar umas ondas. O que me incomoda é que o título se propõe a conscientizar o espectador leigo de que o punk não é só um cara sujo, drogado e mau-caráter. E nesse sentido ele se esforça pateticamente falando de religião e família. Só que ele não dá a visão histórica e social para qualquer compreensão do universo punk. Que é o mínimo que se espera dele.
Dong foi um filme curto e doído. Mas com certeza merece o mérito de mais interessante experimento na linguagem do documentário que eu já tive contato.
ok... agora FICÇÕES
Síndromes e um século é um filme quase abstrato. O comentário geral foi "hm... não entendi, mas gostei", o que parece fazer sentido se o pensarmos como um filme autoconsciente, que está, em pleno filme, se refazendo, se metaforizando, mudando de ponto de vista.
Rosso como il cielo é um filme que adquire uma sensibilidade que transcende o olhar, ao tratar de um menino que fica praticamente cego, vendo apenas sombras e borrões. Com certeza tem um final bobo, tomando-se do "espírito revolucionário" da época em que o filme se passa. Mas emociona, e isso parece ser o suficiente.
Eu não quero dormir sozinho é daqueles que brinca com o espectador distendendo o tempo e lidando com coisas absolutamente individuais dos personagens. Um filme de silêncios, de solidões, de amores voláteis. Que contra tudo e todos não me adormeceu.
Continua....
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