14.1.07

Harold Lloyd II


ok, ok... o texto anterior do Lloyd tá lá. Mas ele é meio babaca, tendencionista e bem pouco embasado. Acho que esse faz mais jus ao homem:


No inicio de sua carreira, Harold Lloyd era só mais uma imitação de Chaplin, mas com roupas apertadas. Com o tempo, acabou trocando o bigodinho por um chapéu de palha e um óculos tartaruga, com certa elegância; “pouco inteligente mas afortunado” poderia ser o lema do personagem. Representava o americano médio confrontado pela freneticidade da urbanização: arranha-céus, negócios, médicos charlatões. Em Safety Last, “o garoto” (como é chamado no filme) que, pelo desenrolar da trama, começa a escalar um edifício pelo lado de fora e não tem como descer, nem consegue penetrar por uma janela - precisa continuar a subir e, numa dessas, para não cair, agarra-se ao ponteiro de minutos do relógio na torre do prédio Uma personalidade baseada na ausência de personalidade.
Seu personagem - o jovem franzino, de óculos, chapéu de palha e terno, não necessariamente tímido, mas sempre desastrado - combinava uma certa densidade psicológica, tipo Chaplin, com uma inacreditável destreza física, tipo Keaton (em minha opinião, maior ainda que a de Buster). Só em 1919 descobriu o fator decisivo para seu personagem: os óculos. Esta foi sua originalidade: criou um personagem absolutamente comum e apagado (sempre chamado Harold - no Brasil, Haroldo), a quem aconteciam as situações mais incomuns e que o faziam, sem querer, transformar-se em um super-homem. Dos 58 minutos de For Heaven's Sake (1926), 30 são um corre-corre desenfreado, com Harold atraindo para si todos os bandidos e policiais da cidade a fim de levá-los para a sede de uma missão tipo Exército da Salvação.
Harold Lloyd representa, de certa forma um microcosmo do que a comédia manifesta: o reconhecimento da platéia no ridículo, a luta com o objeto.


Altamente Recomendado:

Safety Last (O Homem Mosca), de Fred C. Newmeyer e Sam Taylor, 1923.


Max Linder


Max Linder pode ser considerado o pai da primeira geração de comediantes do cinema norte-americano, especialmente de Chaplin, que o estudou profundamente. Sua linguagem, ainda incipiente, era a câmera parada acompanhando o que acontecia no quadro, o chamado “Teatro filmado”. Uso de poucos cenários, quando não um único. Sua comicidade não se baseava em oscilação de extremos e no buslesco, mas sim pelo movimento e uma fina observação psicológica na criação do personagem.
Depois de desenvolver e estudar diferentes personagens, Linder encontrou seu “alter-ego cinematográfico” no personagem Max, um homem urbano, de chapéu e terno elegantes que constantemente se dava mal por ser um típico bon vivant e correr atrás de belas garotas. Com a criação de um personagem fixo Max Linder se tornou uma figura cômica, ou melhor, a primeira figura reconhecivel ao público da história do cinema.

Altamente Recomendado:

Max et la doctoresse, Max Linder, 1909.

Max prend un bain, Max Linder, 1910.

Troubles Of A Grass Widower, Max Linder, 1908.

Sympathy for the Devil (1968)


Eu diria que é um filme sobre construção. Construção de uma musica, construção de uma obra, construção de um movimento, construção de uma revolução.
Godard revoluciona e quer que o mundo o acompanhanhe; faz o chamado documentando a gravação da musica homonima ao titulo do filme.
Percebe-se, a partir desse documento, que uma musica, uma obra depende de vários segmentos, depende de uma exaustiva repetição e de coisas aparentemente desconexas.





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13.1.07

Disque M para Matar (1954)


Duas coisas me chamaram a atenção neste filme:

1 - O uso que Hitchcock faz de espaços fechados, enclausurados. O confinamento não-claustrofobico. O filme todo, praticamente, se passa dentro de um unico comodo de um apartamento. É possivel estabelecer esse confinamento da narrativa como uma caracteristica bem marcante ao longo da obra de Hitchcock: Festim Diabólico seria o exemplo máximo pra isso.

2 - O uso das cores no figurino do personagem de Grace Kelly. As tonalidades escolhidas para climatizar o filme são bem mornas: tons pastéis, em geral. Exceto quando se trata do personagem de Grace Kelly, uma mulher infiel ao marido; quando está com o marido usa roupas de tons claros (barncos, cremes) e quando está com o amantes usa cores quentes (vermelhos, marrons).

Essas duas coisas me interessanram por serem narrativa puramente dialética.