29.6.06

La Dolce Vita (1960)


Confesso que assistir a esse filme me foi uma verdadeira presepada.
Inúmeras tentativas sonolentas ou ansiosas. E "La Dolce Vita" fosse um livro ele seria a Odisséia, isso é certo...
Mas eu consegui. E dentro de um método doentio me obriguei a assistir o filme algumas vezes para entender pq ele é tão "bom".

E de repente percebo que La Dolce Vita é um filme extremamente simples.


Claro que minhas cismas com coincidências numéricas me revelaram que o filme se passa num período de 7 noites e 7 madrugadas, representa os 7 pecados capitais e foi filmado nas 7 colinas de Roma. Mas é muita mediocridade da minha parte conseguir diminuir o filme a isso...

Trata-se de um mundo de extravagâncias, um mundo desesperado, mas vazio.
Um mundo de pessoas idealizadas, de inicio e fim simétricos.
É um filme perigoso... Tudo é lindo, exótico e tentador.
Romantizado demais pro meu gosto.
Ok, estou a salvo.

22.6.06

Pier Paolo Pasolini

Pasolini era um literato que olhou para o cinema e pensou "Ahm... aí tem coisa."
Acabou se tornando um grande estudioso do assunto e um grande realizador. Sempre refletiu o impacto da modernidade na literatura e no cinema com um olhar bastante radical.
Dizia que o cinema era a representação da realidade pela realidade (uuu há controvérsias).
Dizia mais; que para o cinema não bastava ser só uma arte advinda de uma técnica literária. O cinema se trata de uma língua. Uma língua sem gramática.
Ele já falava em estéticas da recepção antes mesmo delas entrarem em pauta, que seria, a grosso modo, o espectador também como criador. Acredito que essa visão de cinema que o diferenciou de seus amiguinhos neo-realistas.
A fase neo-realista (chamada de ciclo popular-nacionalista) dele foi um tanto quanto apagadinha (isso na minha humilde opinião). Filmes com temática suburbana e tal. Depois ele entrou numa de "cinema de poesia" que foi onde ele concebeu a clássica Trilogia da Vida.

Na verdade não assisti a muitos de seus filmes. Uns 4 ou 5, talvez. Mas o escândalo, a nudez, a profanação são ininterruptos. O cara era um baita maluco. Imagina: numa sociedade burguesinha, fascista como a italiana era. Óbvio que ele foi assassinado "misteriosamente".


Mas o meu ponto é: viva o cinema metafórico radical. Lirismo debochado, ideal de beleza turvo e uma arte absolutamente grandiosa. Isso é Pasolini. E é muito massa.


Por hora é isso mesmo.

21.6.06

O Atalante (1934)


Falando em contos de fadas eu me lembro de L'atalant.
É o filme mais bonito que já vi. É a apoteose do que qualquer desavisado chamaria de "filme-francês-tolo-qualquer".
Um casal jovem, recém-casado, inicia uma nova vida numa barcaça, coisa e tal. No entanto ela quer o mundo e ele está satisfeito com a barcaça.
Jean Vigo sabia o que estava fazendo. O cara é um poeta de imagens. Um poeta de tons de cinza. Podia cair facilmente num mundo banal, sentimentalista e clichê, mas não.
O filme é muito fofo mas grita, é excitante. Esse é meu ponto: ele é excitantemente fofo.
O ritmo ingênuo do filme e a música traduzem o percurso da barcaça e do casal perfeitamente.

Pelo meu tosco conhecimento cinematográfico, esse filme seria um representante do que se chama de "realismo francês". Até aí tudo bem, a critica social e toda a ladainha está lá, em um dado momento. Mas eu não consigo deixar de enxergar um certo naturalismo e até mesmo um toque surrealista ao filme. Mágico demais, lírico demais. E quando eu digo demais, leia-se suficiente.

Filmes bonitinhos comandam.
E é isso mesmo.

Esse blog é mto feio. Isso tá começando a me irritar.

O cozinheiro, o ladrão, a mulher e seu amante


Há quem diga que Peter Greenaway é um cineasta que segue modinhas.
Não sei se concordo.

O fato é que vi poucos filmes dele e ou eles me incomodaram e fizeram dormir (A última Tempestade) ou eles me fizeram surtar completamente (O livro de cabeceira).

Então, estranhamente, ele acabou se tornando um dos cineastas parametros do que eu gostaria de ser e do que eu gostaria de não ser.
O que não se pode negar é que ele tem uma estética refinada e formas narrativas absolutamente complexas. Não acho que ele seja revolucionário, nem nada do tipo. Só acho que ele foi esperto com o que o cinema e a literatura, sei lá, suas influencias em geral, lhe oferenceram.

Mas a sacada dele foi conquistar a academia com um papo pós-moderno desconstruído.


CONTINUA

16.6.06

Pele de Asno (1970)


Jacques Demy inventou um conto de fadas. Furtivo e encantado, não devendo nada aos desenhos da Disney.
Nem preciso dizer que Catherine Deneuve está absolutamente maravilhosa.

"O prazer e a magia do filme que se tornou lendário", diz o cartaz. Tá, não é pra tanto.

Mas o que eu gosto de observar no Jacques Demy é a situação que ele se coloca em plena França, pós-maio de 68, Godard em plena atividade com o Grupo Dziga Vertov, Truffaut ainda se divertindo com Antoine e o Demy fazendo contos de fadas...

CONTINUA