Dado o tempo para um distanciamento seguro da agitação da mostra, eis meus comentários sobre alguns filmes que assisti;
DOCUMENTÁRIOS
Os poucos documentários que vi me deixaram com uma certa desilusão da capacidade de discernimento dos organizadores da mostra.
Homens em crise era co-produção de Israel com a Palestina. Sim, peculiar. Pescadores de ambos povos que dividem o mesmo mar em harmonia no verão e em crise no inverso. Se amam como irmãos e querem se matar como inimigos.
O grande pecado do filme é explorar assuntos menores e se ater à questões irrelevantes. Além de grande pobreza estética e linguagem porca.
Punks são legais não era algo que eu esperava que fosse espetacular. E ainda assim ele deixou a desejar. A proposta infeliz de mostrar um panorama da cena punk na atualidade (com os antigos que permanecem, os novos que se superam e os desconhecidos crescendo) parecia mais uma fachada para um "documentarista" sair do Canadá e vir para o Brasil e para Bali (onde se encontram 2 das 3 "bandas" retratadas) e de quebra pegar umas ondas. O que me incomoda é que o título se propõe a conscientizar o espectador leigo de que o punk não é só um cara sujo, drogado e mau-caráter. E nesse sentido ele se esforça pateticamente falando de religião e família. Só que ele não dá a visão histórica e social para qualquer compreensão do universo punk. Que é o mínimo que se espera dele.
Dong foi um filme curto e doído. Mas com certeza merece o mérito de mais interessante experimento na linguagem do documentário que eu já tive contato.
ok... agora FICÇÕES
Síndromes e um século é um filme quase abstrato. O comentário geral foi "hm... não entendi, mas gostei", o que parece fazer sentido se o pensarmos como um filme autoconsciente, que está, em pleno filme, se refazendo, se metaforizando, mudando de ponto de vista.
Rosso como il cielo é um filme que adquire uma sensibilidade que transcende o olhar, ao tratar de um menino que fica praticamente cego, vendo apenas sombras e borrões. Com certeza tem um final bobo, tomando-se do "espírito revolucionário" da época em que o filme se passa. Mas emociona, e isso parece ser o suficiente.
Eu não quero dormir sozinho é daqueles que brinca com o espectador distendendo o tempo e lidando com coisas absolutamente individuais dos personagens. Um filme de silêncios, de solidões, de amores voláteis. Que contra tudo e todos não me adormeceu.
Continua....
17.11.06
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