22.4.07

The Apartment (1960)

A verdade é que já não existe mais distanciamento algum entre eu e esse filme. Assim como a maioria dos outros os quais eu me proponho a escrever. Tá nas entranhas. Eu simplesmente adoro e entendo. Mas vamos lá...
The Apartment poderia ser uma comédia que reafirma o bom e velho "nice guys finish last"; um cara legal que sempre sai perdendo, lembrando os velhos tempo de Slapstick Comedy, cujo representante máximo da facção "cara legais que se fodem" é Harry Langdon (Tramp, Tramp, Tramp; The Strong Man) e Buster Keaton por muitas vezes; o esteriótipo do rapaz franzino que nunca consegue a garota por haver sempre um fortão galante por perto.
O que acontece em Se meu apartamento falasse (como foi traduzido no Brasil) é que o "esteriótipo" é modernizado e a garota passa a ser não do fortão e sim do poderoso.
A fórmula antiga "na verdade ela sempre quis o cara legal" permanece mas é mais ambigua.
- "Why can't I ever fall in love with somebody like you?," pergunta Fran (Shirley McLaine), a ascessorista-amante do diretor da empresa ao bocó C.C Baxter (Jack Lemmon).
Mas de bonzinho Baxter não tem nada. Ele se faz de bobão, sedendo seu apartamento aos executivos de sua empresa com a promessa de subir na carreira e pesquisa nos arquivos da empresa tudo sobre sua amada. Ele ganhou a fama de canastrão entre seus vizinhos, e, de certa forma, gostaria que isso fosse verdade.
C.C Baxter é o alter-ego de Billy Wilder, que sempre adiciona um personagem em crise e corrompido.
Fran tem uma papel muito interessante; ela é ascessorista do elevador da empresa e tem um relacionamento adultero com o presidente. A empresa, por sua vez, é uma companhia de seguros. Trata-se de uma representação brilhante da questão que o filme aborda, na minha opinião, que são os novos valores e a nova moral do pós-guerra: Quanto controle uma pessoa tem da própria vida?


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