10.5.07

Sonho Tcheco (2005)

Sonho Tcheco é um documentário tcheco (dã) ruim. Mas não é o fato de ele ser bom ou não que me interessa no momento e sim o objeto em que ele se propõe a discutir.
Talvez nem deva chamá-lo de documentário e sim de experiência sociológica registrada (ok, ok isso é quase uma definição de documentário). Me retrato: um reality show.
Trata-se de dois estudantes de cinema que, revoltados com a febre de seu povo por hipermercados, fazem uma grande campanha publicitária que anuncia a inauguração de um novo hipermercado chamado "Sonho Tcheco". O fato é que o hipermercado se localiza num enorme terreno baldio e possui só uma fachada, ou seja, não existe e nem existirá.
Essa febre do povo Tcheco é totalmente "compreensível". Há dez anos a população enfrentava o regime soviético, o "socialismo". Com a abertura política e econômica, o país vomita essa vontade engasgada de possuir, consumir ancorado num enorme sistema de mercados de proporções enormes. Então, é natural que essa doença consumista se potencialize num país como esse. Até porque a população é ingênua e influenciável ao marketing espertinho.
O objeto de estudo dos caras é a repercussão da mídia, o poder da publicidade, a ilusão do menor preço trabalhando em favor da alienação da massa e do consumismo.
Muito interessante a participação da equipe de publicitários que eles contratam e da forma como eles se propõe a agir. O cara fala "na publicidade a gente não mente", cínico, no mínimo. Todo o discursso da propaganda do "novo hipermercado" é na forma de antíteses e psicologia inversa: "Não vá", "Não gaste" o que é no mínimo engraçado pois quando aquele povo revoltado quer matar os caras na inauguração eles usam do argumento "ei, eu avisei.."

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